Queridos irmãos e irmãs, a paz de Cristo esteja com vocês!

O Evangelho escrito por São Marcos 1,40-45, nos fala da parábola do leproso. Vamos juntos ver a mensagem que Deus quer nos passar por meio deste episódio. Percebemos que é um encontro do leproso com Jesus. Imaginemos como foi este encontro. Certamente você já tem experiência de muitos encontros bons e ruins. Encontro que você saiu feliz ou triste. Vamos ver como foi este encontro.

O Evangelho começa falando que um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos fez um pedido: “Se queres tens o poder de purificar-me”. O fato do leproso aproximar-se de Jesus, ajoelhar-se e fazer um pedido, é sinal que ele conhecia ou já tinha ouvido falar de Jesus. Você não vai chegar ajoelhando e pedindo a quem não conhece. Lembremos que o objetivo de Marcos é mostrar quem é Jesus. Por meio dos relatos das atividades de Cristo, Marcos quer nos ajudar a conhecer Jesus. O ajoelhar do leproso mostra a sua humildade, ou seja, ele reconhece a sua pequenez e busca ajuda. O seu pedido mostra quem é Jesus: “Se queres tens poder de purificar-me”. Ou seja, Jesus é o Messias, o Filho de Deus, o Salvador. Sim, Ele pode salvar.

Vejamos três coisas importantes. Primeiro, buscar a Deus, participando do projeto divino, na sua Igreja, isto é, desejando e buscando, como o leproso buscou Jesus. Segundo, sermos humildes (ajoelhar-se) diante Dele, ou seja, admitirmos que necessitamos da sua ajuda, derrubando a nossa auto-suficiência. Terceiro, termos fé, convicção de que Deus tudo pode: “Se queres tens o poder de purificar-me”. A resposta de Deus vem de imediato: “Eu quero: fica purificado”. Aconteceu o milagre, o leproso naquele instante ficou purificado. Percebemos claramente que o desígnio de Deus é nos salvar. E de fato já somos salvos pela paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Vamos agora descobrir o que ainda nos mata ou pode matar. O leproso carregava três fardos, cada um mais pesado que o outro. O primeiro fardo é a própria enfermidade. Ele tinha consciência que estava com uma doença incurável. Mas isto não pesava tanto como o segundo fardo, a conseqüência da doença: ser marginalizado, excluído. Naquele tempo uma pessoa com lepra deveria ficar isolada, vivendo no deserto; não podia tocar em ninguém. Imaginamos o quanto era difícil para este leproso viver doente e ainda longe certamente da esposa, do carinho dos filhos, do afeto dos parentes e amigos. Com certeza era muito mais triste.

Uma pessoa doente pode muito bem participar do convívio familiar, da sociedade e muito mais da comunidade cristã. Isto nos faz lembrar da Campanha da Fraternidade de 2006, cujo tema era: “A fraternidade e as pessoas com deficiência”, e o lema: “Levante-te, vem para o meio!” Isto exige acolher e valorizar os irmãos e irmãs. Muitas vezes não é a doença propriamente dita que nos mata, mas a falta de compaixão, solidariedade, amor e misericórdia. Podemos viver muito mais tempo com uma doença, ou podemos até ser curados mais rapidamente quando sentimos que somos amados, acolhidos, valorizados.

O terceiro fardo que pesa e dói muito é quando nós buscamos justificar os sofrimentos usando o nome de Deus: É castigo de Deus!; ele está sofrendo porque pecou!; ele certamente merece sofrer! Isso é muito cruel, porque faz de Deus um carrasco. E assim, buscamos fugir da responsabilidade. Percebemos claramente, pela parábola, que Deus não quer ver ninguém sofrendo, mas curar, salvar: “Eu quero: fica purificado”.

Portanto, o leproso nos ensina que não devemos nos fechar diante dos nossos empecilhos, por mais difíceis que sejam, o que seria ainda pior. Devemos ser humildes e buscar ajuda de Deus.

Continuando a nossa reflexão, vamos ver como ficou a situação de Jesus. Ele advertiu o leproso que ficasse calado: “Não contes nada disso a ninguém!” O ex-leproso obedeceu? Não. Por quê? É impossível alguém receber uma boa notícia e guardar só para si. Assim, aquele que era leproso, acabou revelando quem é Jesus, de modo que “de toda parte as pessoas ia procurá-lo”.

Jesus rompe com os fardos pesados que estava sobre o leproso: “estendeu a mão, tocou nele”. Estender a mão, tocar, é dar condições para que a pessoa possa caminhar com suas próprias pernas. É reintegrar ao convívio familiar, social e comunitário. O nosso Deus é o Deus da vida e não da morte. Jesus nos convida a termos compaixão, amor e misericórdia, ou seja, acolhermos e valorizarmos nossos irmãos, não importa a sua enfermidade. Essa é a nossa missão.

 
©2008 Editado por: Eliane

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